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Mostrando postagens de 2025

Um caramelo que conquistou o pedaço...

  Comerciantes dão abrigo, ração, água e até veterinário e medicamentos a um vira-lata que se tornou conhecido e protegido em trecho de uma das principais ruas de Apucarana (Texto e fotos: Donizete) E m Quincas Borba, há um cão do mesmo nome do livro e de um dos personagens. No romance de Machado de Assis, que é um espelho crítico da sociedade, o animal se destaca por amor e fidelidade.  Ao menos nestes quesitos, a trama machadiana se repete pelas ruas de certas cidades. Cães chegam e vão ficando em determinados locais. Comerciantes e moradores cuidam. Não demora, viram patrimônios do pedaço. É o caso de um caramelo que vive num trecho da rua Nova Ucrânia, em Apucarana, perto do Cemitério Cristo Rei. Diferente de Quincas Borba, que tinha um dono, ele tem cuidadores. Dois lhes dão abrigo, ração, água e, se precisar, veterinário e medicamentos. De manhã, ao chegarem para abrir o comércio, lá está o cão, que não tem um nome. Alguns o chamam de Betão. Estalam a ponta dos dedos...

Gorgó, a trágica morte de um boleiro que conquistou Apucarana

(Donizete Oliveira – jornalista e historiador)              A pucarana tem suas histórias. E são muitas. Um ótimo apanhado delas está no livro “Alma e história das ruas de Apucarana”, volumes 1 e 2. Do jornalista Fernando Klein. Cada rua, cada personagem e cada trajetória se transformam em um pedaço vivo da história da cidade. Por exemplo, esta do Gorgó, um crioulo simpático que, por acaso, se tornou apucaranense. O pouco tempo em que viveu na cidade, sua simplicidade conquistou amizades. A história começou em um jogo do Grêmio Esportivo e Recreativo Apucaranense (Gera). Uma equipe fantástica, cheia de craques. O adversário era o Água Verde, de Curitiba. A diretoria do Gera se encantou com o futebol daquele crioulo. O contratou para disputar algumas partidas pelo time local. Ele veio e foi ficando. Tinha mais um dom além da bola. Era cantor e exímio violonista. Também tocava atabaque e pandeiro.        Naquele tempo, as rod...

Ele queria um museu, mas a morte veio antes...

  Morte repentina de antigo morador de distrito de Apucarana, que colecionava mais de 30 mil objetos antigos,   e pretendia transformar casa em espaço para abrigá-los, revela incertezas sobre projeto (Donizete Oliveira: Texto e fotos)   Antônio Carlos mostra antigo cortador de tabuinhas, usadas antigamente para cobrir casas U ma sexta-feira de sol, céu límpido e um vento brando, que assoprava levemente as plantações à beira da estrada. Típico dia de inverno. Vanderlei conduz o carro que me leva até o distrito de Caixa de São Pedro, a 22 quilômetros de Apucarana. Disseram que lá existe um morador que coleciona objetos antigos. À primeira vista, imaginei alguém que juntasse algumas velharias. Aparelhos de rádio, televisão, toca-discos, despertador, panela de ferro ou algo parecido, que vez ou outra vemos por aí. Chegamos ao local indicado. O dono dos tais objetos se aproxima. Nos convida para ir à pracinha do distrito. Iria falar da história do local e, em seguida, nos leva...

UM CABOCLO NA CIDADE

Alcino, chamado de “O cantor das estrelas”, trabalhou na roça e se mudou para Apucarana, onde  passou por diversos empregos, mas aos 57 anos conseguiu se dedicar ao seu dom, gravou cinco CDs e compôs mais de 50 músicas sertanejas (Texto e foto Donizete Oliveira) As ruas tranquilas de Miradouro, cidade mineira com pouco mais de dez mil habitantes, nas margens da BR-116, a conhecida Rio/Bahia, refletem o silêncio das montanhas que a cercam. Cenário perfeito para compor uma moda caipira, daquelas que narram a vida de um caboclo. Alcino José da Silva nasceu lá, mas veio criança com a família para o Paraná. Ele não pôde compor músicas apreciando as paisagens da cidade natal, mas inspirou-se na vida do interior, tornando-se compositor e cantor. Apesar de bucólicos, seus versos, às vezes, são tristes. Retratam o árduo trabalho na roça, que nem sempre traz recompensa. “Os violeiros cantando falam do meu sertão/Não pude ser feliz, só tive decepção/Trabalhei muitos anos, não tive compensa...

O PÃO NOSSO DE CADA DIA...

  Padeiro que bateu e assou massa por mais de 50 anos lembra do tempo em que as carroças faziam filas à frente das padarias para levar pão e leite até a casa dos moradores, que pagavam ao dono do comércio no fim do mês Texto e foto Donizete Oliveira Acomodado numa cadeira, ele não arreda os olhos do jogo de sinuca. A cada tacada, uma bolinha vai; outra vem. Até a última cair. O vencedor grita e joga o taco sobre a mesa. Pausa. Uma cerveja. Conversa fora. Mais uma partida. Aquele senhor grisalho permanece vidrado nas tacadas. Quem ganha, quem perde? Não importa. Vale o passatempo. Dos jogadores e dele, que anos a fios trocou o dia pela noite para ganhar o pão e garantir o pão alheio. Aposentado, assiste aos amigos, em intermináveis disputas de sinuca. Num bar na rua Osvaldo Cruz, em Apucarana. A maioria que ali frequenta o conhece. É Antenor Rafael. “Debulhar o trigo/Recolher cada bago do trigo/Forjar no trigo o milagre do pão”. Os versos de Milton Nascimento e Chico Buarque, ...