Uns se banham; outros, passarinho...

 (Texto e fotos: Donizete Oliveira)

O sol pede sombra. Procuro uma. Lembrei que ali perto tem uma torneira e um bebedouro improvisado. Embaixo de uma árvore, ao lado da calçada, fizeram um pequeno côncavo de concreto. Cheio de água vira alegria dos pássaros. Eles pousam ao redor e matam a sede. Alguns aproveitam para se banhar. No calor, mais ainda. A disputa para se esbaldar na água é ferrenha. Tico-tico, canários, chupins, sabiás, cambacica, pombinhas...

Sentei por ali com minha câmera. Eles se acostumaram. Já não se incomodam com as pessoas que passam em grupos. Nem voam. Dão uma corridinha e retornam. Um vigia que ficava perto me disse, certa vez, que até gaviões e urubus procuram o local. Das árvores próximas voam até a água. Matam a sede e saem. Não permanecem como outros pássaros.

O bebedouro improvisado e a poça de água ficam no campus da Universidade Estadual de Londrina, a UEL. Muitos que por ali passam nem percebem a presença dos pássaros. Alguns mal olham a contenda pela água. Chegam ou saem das aulas. Cabeças em outro canto. Me lembrei do “Poeminha do contra”, do genial Mário Quintana: "Todos esses que aí estão/Atravancando meu caminho, /Eles passarão... /Eu passarinho!". Segue o baile: uns se banham; outros, passarinho...

A cambacica aguarda o tico-tico se banhar para usufruir da água

O chupim, da árvore próxima voou direto para o banho

A pombinha parecia afoita apenas matar a sede


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