segunda-feira, 21 de março de 2022

Chuva, Lula, Requião, solidariedade, sem terras, sem comida, sem autógrafo e beijo na mão

 TEXTO E FOTOS: Donizete Oliveira

 

Manhã de sol. Mas o tempo ameaçava com nuvens pesadas no horizonte. Destino Lerroville. Pela BR-376, trevo de Mauá da Serra. A 35 quilômetros sentido Londrina, da qual é distrito. Uns três quilômetros à frente, por uma estrada de terra chega-se ao assentamento Eli Vive, onde Lula, Requião e parte do staff petista estiveram sábado.

Fui de carona com amigos de Apucarana. Gava, Rosa, Magrão e Paulo Reis. Quem chegou cedo a Lerroville, nosso caso, os pinheiros eram referência. No pinheiro, virem à direita. Nos explicaram. Mas tinha mais de um à beira da estrada de chão. 

A sinalização começou a ser colocada assim que a gente chegou. Bandeirinhas vermelhas indicavam a rota. Logo caiu o aguaceiro. As laterais de algumas barracas precisaram ser tombadas para escorrer a água acumulada. Gentes munidas de enxadões improvisavam sulcos para escoar a água que as invadia.

A expectativa era a presença de Lula. Dizia-se que ele chegaria  ao local antes das 11 horas. Mas chegou por volta das 14 horas. Desde cedo, fotógrafos e cinegrafistas ficaram no chiqueirinho, na entrada de um enorme pátio. Nos disseram que a comitiva de Lula e Requião passaria em frente. Eles visitariam a barraca de produtos cultivados e produzidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O chiqueirinho de fora era a céu aberto. Por causa da chuva, nos transferiram para o fundo da barraca. Apesar do improviso, a mudança melhorou nossa posição. Ideal para fotografar quem adentrava. Lula e comitiva iriam ver os produtos. Aquelas demonstrações de praxe. Uma autoridade ouvindo sobre o que se planta e o que se produz numa região.

Com a comitiva veio um batalhão de gente na frente. Inclusive outros fotógrafos, atrapalhando os que ficaram atrás. Lula distribuiu comprimentos. Ouviu explicações e perguntou sobre alguns produtos. André Vargas, ex-deputado que foi ativo nos quadros petistas, estava lá. Virou produtor de pitaia, numa chácara em Ibiporã. Disse que levara uma caixa da fruta ao Lula.

Eu levei um exemplar do livro “Lula – biografia”, de Fernando Morais. Na saída da barraca, pedi a Lula para autografá-lo. Ele mirou o livro, como se fosse afirmar algo. Após alguns segundos disse: “depois eu assino”. Um dos seguranças que o acompanhavam reforçou: “Ele assina, pode ficar tranquilo”.

Fomos ao barracão aberto ouvir os discursos. Estava lotado. Falavam-se em dez mil pessoas. A maioria de assentamentos rurais. Vieram de ônibus.  Eu calculei sete mil.  Os discursos se revezaram. De João Pedro Stédile, economista, um dos fundadores do MST, a Bela Gil, filha de Gilberto Gil. Ela apresenta um programa de culinária numa TV por assinatura. Fiquei sabendo quem era por uma coordenadora da barraca do assentamento.

No barracão, o local reservado para fotógrafos e cinegrafistas, ao lado do palco, foi tomado pelo público. Cada um teve que se virar no meio da multidão para fotografar os falantes no palco. Deveriam ter feito um elevado de tábuas, como fizeram em eventos semelhantes que cobri. Fotógrafos e cinegrafistas ficam acima do público na entrada. Facilita o trabalho.

Após sucessivos anúncios, Lula, enfim, falou. Declarou que o atual governo é uma fábrica de mentiras. Apelou para que os eleitores votem em candidatos a deputado e a senadores comprometidos com as propostas de um eventual governo petista. “Não podemos pôr raposa no galinheiro, que ela vai comer as galinhas”, comparou.

 Ressaltou que entre os candidatos a presidente da República ele é o que mais entende a alma do povo. “Eu conheço o chão de fábrica e sei o que é sentar numa mesa e não ter o que comer”, disse. “Morei em casa que, com chuva, a gente tinha de acordar de madrugada jogar água para fora e espantar barata e outros insetos que saíam pelos ralos”. Daí porque ele decidiu ser candidato, afirmou. Garantiu que vai recolocar o pobre no orçamento do governo federal e cobrar impostos daqueles ricos que não pagam. “Não é vingança, é justiça, sem isso, o Brasil não pode dar certo”.

Stédile disse acreditar na eleição de Lula, mas apelou “aos companheiros” que não arredem pé e se organizem para elegê-lo. A organização se chama “Comitês populares” que se encarregarão de divulgar a proposta de governo petista. “Deus ajuda quem se organiza”, disse, citando o dito de um amigo, padre de uma instituição em que ele estudou no Rio Grande do Sul.

Requião revelou que aos 81 anos, a indignação o faz disputar mais uma eleição para o governo estadual, que ocupou três vezes. “Quando vejo mulheres assaltando caminhões de lixo em busca de comida, quando vejo açougues que descartavam ossos, hoje, separando ossos de primeira e de segunda para vender aos esfomeados sem salário, entendo que preciso voltar ”, declarou.

Ele disse se animar ao ver o MST a lutar por um Paraná e um Brasil melhores. “Vocês me inspiram e reconfortam minha alma”, ressaltou, afirmando que está numa caminhada por uma mobilização de redenção nacional. “Só temos um caminho, eleger Lula presidente”.

Fim dos discursos. O povo se dispersa. Passavam das 15 horas. Ouvi dizer que teriam dez mil marmitas para os presentes. Quem estava apenas com o café da manhã. Um alívio. Mas não teve. Disseram que o caminhão que as trazia encalhara na estrada. A boia azedara. Restou comer alguma coisa no trajeto de volta.

Antes de partir fui ver a saída da comitiva. Com esperança de que Lula autografasse meu livro. Fiquei ao lado do corredor por onde passariam. O povo se ajuntou. A maioria mulheres. Uma foto com o Lula, apelavam. Ele veio parando para autorretratos (as tais selfies). Indaguei o assessor que prometera o autógrafo do ex-presidente. Mal me olhou. Sem autógrafo.

Entre os presentes, esperança. Ari Adelino de Assis, 64, viera de Ortigueira. Ele, que vive num assentamento, diz esperar dias melhores. “Se continuar assim, a gente não sobrevive”, reclama. “Está tudo caro, esperamos uma mudança, daí porque apoiamos o Lula e o PT”. “Precisamos de um governo que nos dê incentivos para produzir e vender nossos pães, bolos, pudins, marmitas”, emenda Josiane Cristina dos Santos Lima, 38, do mesmo município, se referindo às mulheres do MST.

Uma colega dela, de Santa Maria do Oeste, que não quis se identificar, diz que o governo federal precisa investir em programas de qualificação profissional para as mulheres dos assentamentos. “A gente faz produtos em casa para vender, mas precisamos de aperfeiçoamento e tem aquelas que precisam aprender”, afirma. 

A servidora municipal Yvi Rosa, 29, de Londrina, diz que a mulher do campo está mais organizada, contudo, precisa de atenção do poder público. “É o que esperamos de um futuro governo petista, que tire o Brasil desse imenso buraco em que nos enfiaram”.  

Cada participante do evento em Londrina foi convidado a colaborar com a arrecadação de alimentos. A expectativa era reunir em torno de 60 toneladas de legumes, grãos, panificados, frutas e lácteos produzidos pelas famílias do MST. Seriam doados a bairros periféricos de Londrina.

Na parte interna do assentamento, meus olhos atiçavam o estômago em meio a frutas, cereais, doces, pães, bolos, queijos, cachaças, entre outros. Só exposição. Não vendiam. Na parte externa, havia quiosques, mas vegetarianos iguais a mim se deram mal. Só iguarias de carnes.  

Partimos. Devagar atrás da imensa fila de carros na estrada lisa de lama. A rodovia. Paramos no primeiro restaurante. Sem comida, tem razão Lula, a gente não vai a lugar nenhum. Felicidade incontida era da Rosa.  Havia um buraco na lona plástica que separava o corredor em que a comitiva de Lula passava e a multidão que o aguardava.  Ela enfiou a mão lá no momento em que eles chegavam. Lula apertou a mão dela e a beijou. "Emocionante", repetia ela, no caminho de volta. 

O ex-presidente Lula discursou no assentamento Eli Vive com críticas ao governo federal e a parlamentares

Barraca com alimentos cultivados e produzidos pelos trabalhadores assentados

O salão aberto do assentamento Eli Vive ficou lotado para ouvir os discursos de Lula, Requião e comitiva 

Parte das 60 toneladas de alimento que seriam arrecadas no evento e distribuídas na periferia de Londrina

Lula assediado pela multidão, que implorava por uma foto, durante o evento do MST realizado em Londrina


terça-feira, 15 de março de 2022

"Acabou o café, acabou o dinheiro"

 

A saga do baiano Prudenciano, que deixou a terra natal e veio para o norte do Paraná atrás do cobiçado ouro verde, como eram chamados os cafezais de outrora

Texto e fotos Donizete Oliveira

O município baiano de Riacho de Santana, a 715 quilômetros de Salvador, guarda um passado de desigualdades sociais e escassez de trabalho. A vida difícil obrigou muitos a buscar oportunidades longe dali.  Uma rota preferida era o norte e o noroeste do Paraná. Nas décadas de 50 e 60, um oásis de fartura. Impulsionado pelo café, o cobiçado ouro verde.

Um dos que migraram em busca da terra prometida é um baiano que fala pouco, mas no rosto traz as marcas do tempo. Sentado num banquinho de madeira na mercearia Santo Antônio, antiga venda de secos e molhados, no distrito de Rio Bom, Santo Antônio do Palmital, ele se recorda do auge do café na região.

O ano era 1962. Gentes chegavam e se instalavam atraídas pelos pés carregados de grãos. “Moço do céu era um formigueiro”, diz Silvano Prudenciano do Carmo, 78, meio desconfiado por que estou lhe fazendo perguntas. “Pra que você quer saber essas coisas”, indaga.

Uma entrevista. Para o senhor falar do passado da região, explico. Silêncio. A gente proseia, proponho. Prudenciano faz cara de que não entende, mas aceita. Diz que viera da Bahia mais um colega apanhar café. “A gente se deu bem porque tinha muito serviço”, conta. Diversões também. Jogos de futebol, festas, bailes e até cinema. “Um pessoal da cidade vinha passar filme aqui, num salão, que ficava apinhado de gente”.

A dez quilômetros de Rio Bom e a 40 quilômetros de Apucarana, Santo Antônio do Palmital, no Vale do Ivaí, tem em torno de 300 moradores. A maioria trabalha na roça. Com a queda do café, as pessoas foram se mudando. Alguns dos que permaneceram é porque conseguiram comprar um pedaço de terra. É o caso de Prudenciano. “Guardei um dinheirinho do tempo de vacas gordas e comprei uma chácara, onde moro com minha família”, declara, se referindo aos bons tempos do café.  Casado com Maria do Carmo, ele tem dois filhos e dois netos.

 Agnaldo Alves, 36, nasceu no distrito e concorda com o pioneiro. “No tempo da bonança do café corria dinheiro”, afirma. Laércio Maia, 54, que trabalha na roça e ganha R$ 80 por dia, diz ouvir os mais velhos enaltecerem o passado. “Era uma época muito movimentada em que ninguém ficava sem trabalho”. De cabeça baixa, Prudenciano emenda com um sorriso contido: “acabou o café, acabou o dinheiro, acabou o que era doce”. 

Prudenciano se recorda da época dos cafezais

Tranquilidade é o que não falta em Santo Antônio

A antiga venda de secos e molhados resiste


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

DENTISTA, FOTÓGRAFO, PILOTO...

 

Não faltam atividades para o pioneiro Laércio Nickel, que nasceu em Poços de Caldas (MG) e chegou a Maringá em 1951, ajudando a consolidar a profissão de dentista na cidade, onde vive até hoje no seu apartamento cercado de objetos antigos e ainda exercendo um dos seus hobbies: a fotografia

Texto Donizete Oliveira

Fotos Arquivo pessoal e DO

 

Uma visita ao apartamento do dentista Laércio Nickel Ferreira Lopes, no centro de Maringá, é uma volta ao passado. Aparelhos de som, máquinas de escrever, câmeras fotográficas (mais de duzentas), entre outras relíquias, que só podem ser vistas por lá. Ele vai à frente descrevendo cada objeto e se o visitante imaginar que já viu tudo, Laércio Nickel mostra outro, olha nos olhos no interlocutor e dispara: “baba”. É de babar mesmo ao descobrir detalhes de cada antiguidade.

Nascido em 14 de abril de 1928, em Poços de Caldas (MG), ele chegou a Maringá em 1951, com o amigo de infância e de profissão Newman da Silva Gomes. Laércio Nickel se formara em Alfenas, no sul de Minas Gerais. Em Maringá, ele exerceu a odontologia por mais de 50 anos e se casou com Lúcia Moreira, filha de Napoleão Moreira da Silva, tradicional político local, cujo nome batizou uma das principais praças da cidade. O casal tem os filhos: Vânia, Ênio, Sônia, Vera e Luciano, quatro netos e dois bisnetos.

Fotógrafo, apesar da idade, não tem dificuldade para explicar aberturas da lente e velocidades do obturador conforme as condições de luz. Aliás, não faltam coisas que ele faz, e bem feitas. Artesão (produz peças com miúdas pedras coladas), escritor, rádio amadorista (quando havia poucos telefones em Maringá, ajudava na comunicação), piloto de avião e colecionador de antiguidades. “Sempre fui muito dedicado àquilo que gosto de fazer”, diz. “Tenho paixão em viver e conviver com as pessoas”.

Um livro seria pouco para contar as aventuras de Laércio Nickel. Só as de piloto preencheriam algumas páginas. Por exemplo, aquela em que desligou o motor para dar um rasante. O motor não religava, e ele tentou, tentou, até fazê-lo funcionar no limite para completar a manobra. Por pouco, hein! Mas aquilo não foi nada para quem se tornou um playboy de avião, como ele mesmo diz.

Com tantos afazeres, Laércio Nickel sempre arrumou tempo para participar de clubes de serviços comunitários. Em 14 de maio de 1953 foi fundada a Associação Maringaense de Odontologia (AMO), numa reunião no antigo Aeroclube de Maringá. O dentista pioneiro participou do ato, se tornando um dos fundadores da entidade, cujo primeiro presidente foi seu amigo Newman da Silva Gomes. “Tempos difíceis, mas também de muita união e colaboração de todos, sempre pensando na melhoria das condições de trabalho dos profissionais dentistas em Maringá”, afirma.

Sua atuação social em Maringá é ampla e diversa. Entre outros feitos, fundador do Lions Clube de Maringá, na década de 50, um dos primeiros do Brasil. Ele é o único fundador vivo e o Leão (membro do clube) mais antigo do Paraná; homenageado diversas vezes pela entidade. Do Maringá Clube, fundado pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), é pioneiro fundador.

Filho de Luiz do Prado Ferreira Lopes e Maria Luiza Nickel Ferreira Lopes. O pai foi coletor Federal em Alfenas e seu avô Gaspar José Ferreira Lopes prefeito daquela cidade por três mandatos e senador mineiro na primeira República. Na época, os Estados tinham câmaras legislativas, e ele exerceu o mandato em Minas Gerais.

Em 14 de abril de 2018, Laércio Nickel celebrou seus 90 anos. Para comemorar, seus parentes se reuniram em Maringá. Nada mais justo, pois é um pedaço da história mineira que se juntou ao noroeste do Paraná, onde continua fazendo história. Alvo de muitos cumprimentos, ele ouviu repetidas vezes: que esta data se prolongue por muitos anos!

Laércio no apartamento dele, que se tornou quase um museu

Com a mulher, Lúcia Moreira, cujo pai dá nome à praça em Maringá

Vitrola, que funciona por corda, no apartamento dele

Filhos e demais parentes na comemoração dos 90 anos de Laércio


 

domingo, 2 de janeiro de 2022

VIAGEM - Pampulha, um mergulho na arte


Complexo de monumentos arquitetônicos, visita obrigatória para quem vai à capital mineira, proporciona apreciar obras de renomados artistas brasileiros, exercício da fé cristã e proximidade com a natureza

Donizete Oliveira, texto e fotos*

Uma mistura de arquiteturas, museus e natureza, com muita água. A bacia hidrográfica da Lagoa da Pampulha faz parte da bacia do rio das Velhas, que desemboca no rio São Francisco. Muita coisa para ver nos seus 18 quilômetros de extensão. A Igreja São Francisco de Assis é a principal obra do conjunto, com mais traço de Oscar Niemeyer, que a projetou em 1942.

A construção da Pampulha prova a importância de um administrador público concluir os projetos de seu antecessor. O prefeito de Belo Horizonte, Octacílio Negrão de Lima, no seu primeiro mandato (1935-1938) iniciou o represamento do Ribeirão Pampulha, com objetivo de construir uma lagoa. Em 1943, a obra foi completada na gestão de seu sucessor Juscelino Kubitschek (1940-1945).

Niemeyer a projetou, mas a fundação arquitetônica da Igreja São Francisco é do engenheiro Joaquim Cardoso. Dizem que Niemeyer se inspirara nas montanhas de Minas cobrindo-a de curvas. Primeira igreja do Brasil com traços modernistas é o principal cartão-postal da capital mineira. Quem a visita deve se atentar aos detalhes.

Por exemplo, o altar principal,  obra de Cândido Portinari. Dedicado a São Francisco de Assis, um cachorro no lugar do lobo chocou autoridades eclesiásticas, deixando-a 14 anos isolada, sem celebrações religiosas. Os 14 painéis da via-sacra e os externos completam o trabalho de Portinari. Paulo Werneck assina os painéis figurativos e abstratos. Alfredo Ceschiatti esculpiu os de baixo-relevo em bronze do batistério; Burle Marx projetou os jardins.

Mas a visita continua. A Pampulha é uma obra de arte. Cercada por casarões antigos, vale a pena esticar o passeio ao Cassino, que virou museu de arte com um acervo de 900 obras e à Casa do Baile, cartão-postal de BH, com fachada barroca.

Também não podem ficar de fora o Iate Golfe Clube, com obras de Portinari e Burle Marx e a Casa Kubitschek, construída para o então prefeito JK passar os fins de semana, virou museu.

O aposentado Pedro Alves, um simpático senhor de 72 anos, que fica na Igreja de São Francisco, é uma espécie de guia do local. Ele faz questão de mostrar e explicar os detalhes aos visitantes. “Faço com prazer, revelando as belezas e os valores deste local, que é uma joia de Belo Horizonte e do Brasil”, diz.

*O jornalista viajou a Belo Horizonte.

Igreja de São Francisco de Assis, arte de Oscar Niemeyer


Visão parcial do encantador lago da Pampulha

Esculturas de JK, Niemeyer, Portinari e Burle Marx


terça-feira, 17 de novembro de 2020

O FILÓSOFO DAS AMENIDADES

 

Personagem conhecido nos bastidores políticos maringaense, Antero Rocha começou a militância no movimento estudantil passou pelo antigo MDB com atuações na imprensa e na realização de eventos artísticos em Maringá

(Texto e foto: Donizete Oliveira)

Dizem que ele estava sentado à mesa de um bar e um amigo espalhou: ali está o embaixador do Senegal! Trataram-no com todas as honras, servindo bebidas à vontade às mesas que ele ordenasse. Mas desfeita a farsa cada um teve de pagar o que consumiu a mando do suposto embaixador. A história corre. Cada um conta de um jeito. O próprio não confirmava, disfarçava com um sorriso no canto da boca.

Antero Silva da Rocha viveu a história política de Maringá desde 1970. Nascido num lugarejo chamado Brejinho das Ametistas, distrito de Caetité (BA), numa família de 12 irmãos. Em busca de dias melhores, se mudaram para Bandeirantes, ele tinha dois anos. O pai, Sebastião, trabalhava no Instituto Brasileiro do Café (IBC), e foi transferido para Cianorte.

Talvez fosse melhor perguntar em que Rocha não trabalhou. O habitual “fiz de tudo um pouco” lhe caía como luva. Office-boy, lavador de carro, auxiliar de feirante, vendedor de flores eram alguns dos seus afazeres.  Em 1970, ele se mudou para Maringá, onde vivia com familiares. Entre eles, a mãe, Maria Ribeiro da Silva, com 90 anos, mas firme e forte.

A militância no movimento estudantil lhe abriu as portas para a política. Rocha ingressou no antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), onde estavam as principais lideranças que se opunham à ditadura militar. Mas ele ressalva: “Eu não levo muito em conta essa coisa de partido, sempre sou oposição às coisas que considero erradas”. “Até hoje sou assim”, ressaltou em entrevista à Revista Tradição.

Ele se lembrava com orgulho da eleição parlamentar de 1974, quando o MDB fez maioria no Parlamento, assustando o governo federal e seu partido, a Arena. Um dos eleitos na época foi Walber Guimarães, que Rocha assessorou por 10 anos. Também trabalhou para o então deputado Luís Gabriel Sampaio. “Era uma época boa em que o Brasil vivia uma ascensão política, com novos nomes”, disse, citando Álvaro Dias, José Richa e Ulysses Guimarães, que comandou a abertura política com a eleição e morte de Tancredo Neves, em 1985. No lugar dele assumiu José Sarney, que governou até 1990.

Em Maringá, Rocha candidatou-se a vereador por duas vezes, mas não obteve êxito. “Saí pra ajudar o partido”, justificava, se referindo ao MDB. Mas o negócio dele era mesmo os bastidores. Nos anos 70 e 80, chegou a participar de seis a oito comícios por dia, apoiando seus candidatos. “Às vezes, ficava até 40 dias fora de casa correndo o Paraná”, contou. No entanto, sua atuação foi além da política, chegando à mídia e ao entretenimento.

Trouxe vários shows artísticos e peças de teatro para exibição em Maringá. Uma com Zilda Mayo, na ditadura militar, deu o que falar e chegou a ser proibida. Durante a apresentação, os atores ficavam nus no palco. Após muita discussão acabou liberada e apresentada no antigo Cine Horizonte. Também auxiliou Morimassa Miyazato, o More, na realização da Primeira Mostra de Cinema de Maringá, em 1979.

Na imprensa, Rocha atuou em jornais, revistas e até na antiga TV Tibagi. Sócio da “Aqui, revista”, lançou “Mulher atual”, que trazia beldades na capa. Uma delas estampou Deise Nunes, Miss Brasil, em 1986, e Kiki Pinheiro, Garota de Ipanema, no mesmo ano. Ambas estiveram em Maringá num desfile na antiga boate Kalahari.  Ele assinava a coluna “Grito de alerta”, com críticas ácidas a políticos. Diz que parou porque o ameaçaram até de morte.

Divorciado, sem filhos, ele disse que a corrupção, que tanto causa frisson, é uma prática antiga. “O povo precisa eleger melhor seus representantes, deixando de escolher Barrabás”, afirmou. Sobre Maringá, entende que todos os prefeitos de alguma forma contribuíram para o desenvolvimento da cidade. “Eu amo Maringá e a vejo com boas perspectivas, no caminho certo”, afirma Rocha, que apesar de diabético, dizia levar uma vida normal. “É o mal do século, precisamos saber conviver com ela”.

Assim era Antero Rocha, um filósofo das amenidades! Que não desistiu da militância política. Ele morreu hoje (17 de novembro de 2020), aos 69 anos, de infarto.


Antero Rocha posa para foto no centro de Maringá

Em 1981, estilo black power


terça-feira, 28 de abril de 2020

UM CASO DE ABDUÇÃO EM MARINGÁ


Há 40 anos óvni teria pousado em terreno no Jardim Alvorada, um dos bairros mais conhecidos da cidade, e capturado o eletricista Jocelino Mattos, que viu sua vida se transformar após o fenômeno, que até hoje atrai mídia, ufólogos e curiosos
(Texto e fotos Donizete Oliveira)
Em 13 de abril de 1979 (Sexta-feira Santa), Jocelino de Mattos, então com 20 anos, e seu irmão, Roberto Carlos de Mattos, 13, voltavam da casa de uma irmã por volta das 23h30. De repente, na Rua Roberto Simonsen, nas proximidades da Escola Municipal Ariovaldo Moreno, no Jardim Alvorada, avistaram uma estrela.
Brilhante com uma espécie de cauda. Não deram atenção, mas o objeto começou a se deslocar rapidamente no céu. Roberto Carlos cismou que havia algo estranho com aquela estrela. Mas o irmão o encorajou. “Não é nada, vamos embora”, disse. “É uma estrela comum, talvez com um pouco mais de brilho”.
Na época, havia muito mato e plantios de soja no Jardim Alvorada. Eles estavam a cerca de 500 metros de um abacateiro numa trilha no meio de uma terra preparada para o plantio de cereais. A estrela desceu e pousou no solo a alguns metros da árvore.
Ouviram um ruído estranho e, de repente, começaram a ser arrastados em direção àquela luz. “Passamos por uma valeta de uns dois metros de profundidade por três de largura que havia no local, sem ver e sentir nada”, conta Jocelino, que hoje vive no Conjunto Habitacional Requião 2, em Maringá, bairro próximo do Alvorada. “Só notei que a gente chegou debaixo do abacateiro e daí em diante não vimos mais nada, desmaiamos”.
Em entrevista ao jornal O Diário do Norte do Paraná, que noticiou o caso em 17 de abril de 1979, Jocelino disse que eles queriam andar em sentido contrário ao objeto, mas uma força estranha os atraía. “Sentimos falta de ar, nosso coração disparou, e na nossa cabeça havia um chiado infernal”, declarou. “Quando chegamos perto da estrela (nave) caímos e começamos a ouvir uma fala estranha que parecia inglês, francês, sei lá o que era aquilo... a gente não entendia nada”.
Apenas Jocelino teria sido levado ao interior do objeto, seu irmão teria ficado desacordado no solo. Ele se recorda apenas de uma frase que lhe fora transmitida telepaticamente: “Nossa missão não está terminada”, teria afirmado um dos seres, cuja aparência, Jocelino diz não se diferenciar de humanos. Tinham costeletas, eram brancos, usavam botas pretas e vestuário prata.  
Segundo a mãe deles, Maria Rosa Mattos, que morreu em 2017, após o episódio, de madrugada, ao chegarem à casa da família, a cerca de 800 metros do local, pediram para não lhes tocar que estavam dando choque elétrico.
Uma irmã duvidou, passou a mão neles e sentiu um choque. Ela contou ao jornal O Diário que a estrela voltara a brilhar novamente e lá do horizonte emitiu um feixe de luz atingindo Jocelino e Roberto Carlos, que caíram duros na porta da casa da família.
Os vizinhos ajudaram carregá-los para dentro de casa. “Passaram cânfora e álcool no nosso corpo”, diz Jocelino. Os irmãos, que ficaram das 23h30 de 13 de abril às 4h30 da madrugada do outro dia, quando chegaram à casa da família estavam exaustos, quase sem força, e com a roupa e o corpo sujos.
Por volta das 7 horas da manhã começaram a chegar carros de reportagem à casa da família Mattos. Com medo, eles procuraram a polícia e registraram queixa. Soldados do 4º Batalhão de Maringá averiguaram o terreno ao redor do abacateiro, mas nada encontraram. “A repercussão e as constantes brincadeiras maldosas provindas de algumas pessoas me chateavam muito”, afirma Jocelino. 
Para evitar curiosos e imprensa que o procuravam constantemente, ele permaneceu por três anos trabalhando em outras cidades. “Não aguentava mais falar sobre o assunto”, diz. Após o caso, a vida dele se transformou. Passou a fazer experiências com tratamentos naturais e a produzir remédios por meio de elementos químicos e plantas medicinais, os quais ele doa a pessoas com problemas de saúde que o procuram.

ABDUZIDO DESCREVE EXPERIÊNCIA SEXUAL


O médico Osvado Alves, de Mandaguari, que morreu em 2017, e se dedicava ao tratamento natural e à hipnose, pesquisou o caso. Em 1981, ele submeteu Jocelino e sua mãe, Maria Rosa Mattos, a uma sessão de hipnose. Sob as indagações do médico, eles descreveram o que se passou naquele dia. A seguir, um trecho do relato de Jocelino.

Osvaldo Alves - Em que lugar da nave você está?
Jocelino - Estou em algo parecido com uma cadeira de dentista, muito moderna, sofisticada e mecanizada. A temperatura no ambiente é normal. Tem um aparelho na minha cabeça.
OA - Como os equipamentos são colocados na sua cabeça?
Jocelino - É parecido com um capacete, Sinceramente, não vejo muito bem. Sei que estou consciente o tempo todo, mas vejo somente que o capacete é móvel.
OA - Você conversa com quem na nave?
Jocelino - Converso somente com a mulher. Porém, outros seres falavam comigo antes de ela chegar. Ela entrou por uma porta e sentou ao meu lado. Começa a me fazer... começa a me acariciar amavelmente... Passa a mão pelo meu rosto, cabelo, peito, por todo meu corpo.
OA - Você fica excitado?
Jocelino - Sim. Agora ela abre uma parte da roupa, uma espécie de zíper. Não posso ver nada direito... estou em cima dela. Fazemos sexo.
OA - Que tipo de sensação ela demonstra?
Jocelino - Ela não demonstra nada, nenhuma sensação. Tem um prazer gelado... Diz poucas palavras, apenas que é uma mulher viajante, mas não especifica que tipo de pessoa é.
OA - Como se comunicam?
Jocelino - Conversamos por pensamento. Ela não precisa mexer os lábios para conversar.
OA - Como é essa mulher?
Jocelino - Ela usa um macacão preto. Seus cabelos são longos, negros e caem sobre os ombros. Ela não permite que eu veja seu corpo, permanece vestida o tempo todo. É uma moça alta, de mais ou menos 1,75 metros de altura (mais alta que eu), seus olhos são negros, tem sobrancelhas e sua pele é morena, mais escura que a dos homens que estão na nave.
OA - Tem outras características?
Jocelino - O nariz e os olhos são iguais aos nossos, tem lábios médios e não vejo se há dentes. Tem orelhas comuns. É uma moça muito bonita em relação às terráqueas. Não usa nenhuma joia, sua roupa é fechada até o pescoço, não consegui saber se tinha seios ou não. Ela não permite que eu veja ou toque.
OA - O que vocês conversaram?
Jocelino - Ela me diz que talvez a semente cresça. Nós conversamos sobre a Terra, sobre a maneira neurótica que as pessoas vivem. Ela diz que a vida aqui é cheia de conflitos, guerras e fome, que ninguém se preocupa com os efeitos de tudo isso. Diz também que ela como todos os outros da nave são amigos, que vieram numa missão para nos julgar, ou algo parecido... Agora ela se retirou pela mesma porta que entrou.
OA - Fale mais sobre essa missão. Eles vieram para nos julgar?
Jocelino - Eles teriam que observar nosso comportamento, ver a nossa ética e esse foi um dos motivos pelo qual me raptaram. Eles dizem vir de um lugar muito longe, entre as estrelas.
OA - Como você sai da nave?
Jocelino - Flutuando, levam-me até o lugar onde o meu irmão está deitado. A nave está a uma distância de mais ou menos 800 metros da árvore, a cinco metros do solo. Vou junto de meu irmão e não vejo mais os ocupantes da nave.
OA - o que faz ao encontrar seu irmão?
Jocelino - Tento ir para casa. Estamos muito desgastados, precisamos nos apoiar para levantar. Eu me sinto muito mal. Lembro que no caminho para casa, vi três luzes passando como um flash no céu.

  UFÓLOGO DESTACA IMPORTÂNCIA DO CASO

O professor de yoga e meditação, Paulo Cesar de Oliveira, 55, pesquisa ufologia há 30 anos. Em 2001, lançou o livro “Naves Cósmicas – portal de luzes”, que aborda o assunto. Para ele, o caso que envolve Jocelino é um dos mais importantes da ufologia porque revela um contato “de nível profundo”.  
Avalie o “caso Jocelino”?
Utilizando parâmetros da ufologia científica, na classificação criada pelo astrofísico Josef Allen Hynek, seria um caso de “contato imediato de sétimo grau”, o mais alto da escala, em que são criados seres híbridos entre homens e extraterrestres, por métodos artificiais e “naturais”.
Portanto, é um dos mais importantes casos da ufologia mundial, pois além do contato ser de nível profundo, teve implicações que alteraram a vida de algumas pessoas, como o ufólogo Ademar José Gevaerd, que começou em Maringá, pesquisou esse caso e se tornou mundialmente famoso. Hoje, é editor de uma das mais respeitadas publicações sobre ufologia do mundo, a revista UFO.   
Há algo especial sobre constantes aparecimentos de Óvnis em Maringá?
        
        Poderíamos dizer que sim, uma vez que já investigamos vários casos de contato e avistamentos de óvnis na cidade. Alguns dizem que Maringá é rota de óvnis e abriga um portal dimensional.  Seria uma passagem para a quarta dimensão, cuja entrada ficaria em Maringá.




Jocelino retorna próximo ao local onde teria sido abduzido, no Jardim Alvorada, e aponta para o céu, lembrando o caso

Maria Mattos, mãe de Jocelino, na época, em O Diário, que com outros meios de comunicação deu ampla cobertura ao caso 

A casa de Jocelino virou uma espécie de laboratório, rotina que ele segue após o episódio, fabricando medicamentos naturais

Para o ufólogo Paulo César de Oliveira, o "caso Jocelino" está entre os mais importantes da ufologia mundial

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Ditadura censurou informações sobre epidemia de meningite que apavorou o Brasil nos anos 70


A desinformação ajudou a espalhar a doença, assustando o Brasil, que, em 1974, não dispunha de atendimento especializado para diagnosticar e tratar os casos nem de vacina para imunizar ao menos os moradores de São Paulo, onde houve mais vítimas
(Donizete Oliveira, texto e pesquisa)
Eu tinha oito anos. O ano era 1974. Morava na roça, em Califórnia, norte do Paraná. Numa localidade chamada Laranjal. Havia lavoura de café, feijão, arroz e milho. O pasto era grande. Meu pai tinha algumas vacas de leite. Pelo menos duas vezes por semana, eu levantava cedo e pegava uma caneca de alumínio com um pouco de cachaça no fundo e corria até o curral. Com certa rapidez, meu pai puxava a teta da vaca e a enchia de leite fresco. Misturado à cachaça dava um gosto especial.   
Em casa, a única fonte de informação era um rádio Semp, valvulado, com quatro faixas. À noite e pela manhã, meu irmão sintonizava as rádios de São Paulo. Por ali, a gente sabia o que se passava no Brasil. Televisão apenas na cidade. Foi num distrito Marilândia do Sul, chamado Leão do Norte, que eu assisti à Copa do Mundo de 1970. Numa TV Colorado em preto e branco eu vi o Brasil ser tricampeão mundial no México.
Mas uma notícia no rádio e espalhada pelos vizinhos perturbou aquela vida tranquila na roça. Começamos a ouvir uma palavra estranha, que logo ganhou lugar nos bate papos em meio às fileiras de pés de café. Era a meningite. Uma doença que provocava uma terrível dor de cabeça que levava à morte. Diziam que a dor de tão forte chegava a trincar o osso do crânio.
As crianças eram as maiores vítimas. Eu ficava apavorado. A mãe não deixava a gente tomar sol nem sair de casa, à noite, com medo do sereno, que, dizia ela, poderia desencadear aquela terrível doença. Em 1974, o Brasil viveu uma epidemia de meningite. Ao pesquisar o assunto verifico que foram dois subtipos de meningite meningocócica. Um tipo C, em 1971, e outro tipo A, em 1974.  
Dor de cabeça, febre alta, rigidez na nuca. Os dados não são precisos, mas em São Paulo, houve média de mil casos por mês e mais de 500 mortes. Os Jogos Pan-americanos que seriam realizados na capital paulista, em 1975, foram transferidos para a Cidade do México. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas era o único hospital em condições de atender os pacientes infectados. Superlotado foi obrigado a fechar as portas. Muitos ficaram sem atendimento.
Nas periferias das grandes cidades muitos morreram sem diagnóstico e tratamento. No Emílio Ribas, o cenário era assustador. Colchões espalhados pelos corredores, crianças em pias de laboratórios, profissionais de saúde ajoelhados para atendê-las no chão.
O Brasil estava sob uma ditadura militar. O governo, sem meios de resolver a situação e com justificativa de segurança nacional, censurou a divulgação de quaisquer informações sobre a epidemia. Os meios de comunicação não podiam falar do assunto. Sem informação, a maioria não sabia o que fazer frente à doença.  
 Uma vacinação em massa a fez retroceder. A aplicação era feita com injetores de ar comprimido. Parecidos com uma pistola injetava a vacina sob pressão, sem agulha. O governo comprou 60 milhões de dose de vacina da França. Em quatro dias, com ajuda do Exército, foram vacinadas 11 milhões de pessoas. Os casos diminuíram, mas a doença persistiu até 1977. Não desapareceu, mas, atualmente, é controlada com vacinação fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacinação com um aparelho de ar comprimido causava pavor nas crianças

Capa da revista Veja denunciava a censura que imperava sobre a doença

A ditadura militar proibiu a imprensa de divulgar informações sobre a epidemia