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O maratonista que venceu o alcoolismo e o cigarro

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  Atleta de 71 anos, que perdeu uma visão num acidente, se tornou o segundo melhor corredor brasileiro de longa distância na sua categoria e treina para superar o primeiro, correndo 20 quilômetros por dia Texto: Donizete Oliveira - Foto: Divulgação   M agro, cabelos grisalhos. Passadas curtas e rápidas, muito rápidas. Quase sempre campeão na sua categoria. Quem acompanha corridas de rua logo vai perceber que se trata de Mário de Jesus Almeida, conhecido por Mukeira, na sua cidade, Mauá da Serra, no Vale do Ivaí. Por muitos anos foi saqueiro. No muque punha um saco de café ou cereal na cabeça e carregava, daí o apelido. Nascido em Pitangueiras, em 3 de outubro de 1952, mora em Mauá desde 1986. Quem o vê correr pode imaginar que é um atleta que começou menino, mas não. Ele corre desde os 41 anos. Antes era sedentário, fumante e alcoólatra. Chegava a beber dois litros de cachaça por dia. Cigarro, consumia dois maços diários. Num dado momento, pensando na vida, descobriu que estava s

LITERATURA - A vitalidade de um escritor octogenário

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  Antônio Torres nasceu no povoado do Junco, atual cidade de Sátiro Dias, na Bahia, em 13 de setembro de 1940. Menino, mudou-se para Alagoinhas para cursar o antigo ginásio. Mais tarde foi parar em Salvador, onde se tornou repórter do Jornal da Bahia. Aos 20 anos transferiu-se para São Paulo, ingressando-se no diário Última Hora. Lá, mudou de ramo e passou a trabalhar em publicidade. Viveu por três anos em Portugal e atualmente dedica-se à atividade literária.  Após viver no Rio de Janeiro por várias décadas, mora em Itaipava, distrito de Petrópolis (RJ). É casado com Sonia Torres, doutora em literatura comparada, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), e tem dois filhos, Gabriel e Tiago. Eleito em 2013 para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras (assumiu em 2014), cujo patrono é José de Alencar. Em 1976, publicou Essa terra , um grande sucesso. Narrativa que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles do Sul,

Destino: Faxinalzinho...

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  Antiga v enda de secos e molhados, cujo dono confia nos fregueses e mantém a tradição do fiado, vira atração de distrito de Faxinal, no Vale do Ivaí Texto e fotos Donizete Oliveira O professor Donha, de Mandaguari, e o engenheiro agrônomo João Flávio, de Marialva, vez ou outra saem por aí a visitar lugares que muitos só conhecem pelo nome. Um distrito, uma igreja quase esquecida pelo tempo ou uma venda. Daquelas de balcões de madeira, que vendem de tudo. De açúcar, sal, café em pó, feijão e arroz a um remedinho corriqueiro para uma repentina dor de cabeça. Algumas vezes, eu embarco junto. Conhecer mais um lugar escondido nas entranhas do tempo. Da última vez, fizemos um giro pelo Vale do Ivaí. Passamos por Apucarana, Rio Bom, pelo seu distrito de Nova Amoreira e chegamos ao seu outro distrito, Santo Antônio do Palmital. De lá seguimos rumo a Faxinalzinho, ou Nova Altamira, seu nome atual. Mas o pessoal parece gostar do nome antigo. Distrito de Faxinal, a 120 quilômetros de Mari

O dia em que os cafezais ficaram tingidos de negro

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Faz 47 anos que a geada negra dizimou os cafezais do Paraná anulando  sonhos e  obrigando muitas famílias a trocarem a roça pelas médias e grandes cidades    Texto: Donizete Oliveira        Eu tinha hábito de acordar cedo para beber o primeiro leite que saía das tetas das vacas. Meu pai as ordenhava, e eu corria com uma caneca de alumínio. Ele a enchia de leite. Minha mãe misturava café do bule. Dava um gosto especial. Acompanhado de uma batata doce assada era a primeira refeição do dia. Mas naquele dia foi diferente. Meu pai era meeiro e tocava uma propriedade de café na zona rural de Tapejara, no oeste do Paraná. Não lembro quantos, mas eram milhares de pés de café.       A noite não foi tranquila. Dormi de calça e com duas blusas. Minha mãe me cobriu com um colchoado de paina. Pesado, me fez sumir no colchão de palha. Manhã de 18 de julho de 1975, dia do meu aniversário. Eu completava nove anos. O frio não me impediu de sair correndo com a caneca de alumínio. A cada assoprada ex

Chuva, Lula, Requião, solidariedade, sem terras, sem comida, sem autógrafo e beijo na mão

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 TEXTO E FOTOS:   Donizete Oliveira   M anhã de sol. Mas o tempo ameaçava com nuvens pesadas no horizonte. Destino Lerroville. Pela BR-376, trevo de Mauá da Serra. A 35 quilômetros sentido Londrina, da qual é distrito. Uns três quilômetros à frente, por uma estrada de terra chega-se ao assentamento Eli Vive, onde Lula, Requião e parte do staff petista estiveram sábado. Fui de carona com amigos de Apucarana. Gava, Rosa, Magrão e Paulo Reis. Quem chegou cedo a Lerroville, nosso caso, os pinheiros eram referência. No pinheiro, virem à direita. Nos explicaram. Mas tinha mais de um à beira da estrada de chão.  A sinalização começou a ser colocada assim que a gente chegou. Bandeirinhas vermelhas indicavam a rota. Logo caiu o aguaceiro. As laterais de algumas barracas precisaram ser tombadas para escorrer a água acumulada. Gentes munidas de enxadões improvisavam sulcos para escoar a água que as invadia. A expectativa era a presença de Lula. Dizia-se que ele chegaria   ao local antes

"Acabou o café, acabou o dinheiro"

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  A saga do baiano Prudenciano, que deixou a terra natal e veio para o norte do Paraná atrás do cobiçado ouro verde, como eram chamados os cafezais de outrora Texto e fotos Donizete Oliveira O município baiano de Riacho de Santana, a 715 quilômetros de Salvador, guarda um passado de desigualdades sociais e escassez de trabalho. A vida difícil obrigou muitos a buscar oportunidades longe dali.   Uma rota preferida era o norte e o noroeste do Paraná. Nas décadas de 50 e 60, um oásis de fartura. Impulsionado pelo café, o cobiçado ouro verde. Um dos que migraram em busca da terra prometida é um baiano que fala pouco, mas no rosto traz as marcas do tempo. Sentado num banquinho de madeira na mercearia Santo Antônio, antiga venda de secos e molhados, no distrito de Rio Bom, Santo Antônio do Palmital, ele se recorda do auge do café na região. O ano era 1962. Gentes chegavam e se instalavam atraídas pelos pés carregados de grãos. “Moço do céu era um formigueiro”, diz Silvano Prudenciano

DENTISTA, FOTÓGRAFO, PILOTO...

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  Não faltam atividades para o pioneiro Laércio Nickel, que nasceu em Poços de Caldas (MG) e chegou a Maringá em 1951, ajudando a consolidar a profissão de dentista na cidade, onde vive até hoje no seu apartamento cercado de objetos antigos e ainda exercendo um dos seus hobbies: a fotografia Texto Donizete Oliveira Fotos Arquivo pessoal e DO   U ma visita ao apartamento do dentista Laércio Nickel Ferreira Lopes, no centro de Maringá, é uma volta ao passado. Aparelhos de som, máquinas de escrever, câmeras fotográficas (mais de duzentas), entre outras relíquias, que só podem ser vistas por lá. Ele vai à frente descrevendo cada objeto e se o visitante imaginar que já viu tudo, Laércio Nickel mostra outro, olha nos olhos no interlocutor e dispara: “baba”. É de babar mesmo ao descobrir detalhes de cada antiguidade. Nascido em 14 de abril de 1928, em Poços de Caldas (MG), ele chegou a Maringá em 1951, com o amigo de infância e de profissão Newman da Silva Gomes. Laércio Nickel se